Se você, prezado leitor, tiver a possibilidade de acessar o Google Maps, localizar a propriedade que o município herdou e que o prefeito Jô Silvestre quer vender e navegar por ambos os sentidos, leste e oeste, seguindo o ribeirão que banha o imóvel, antes denominado Fazenda Água da Onça, vai notar que existe um corredor de mata ciliar. Estreito e intercalado por pequenas lavouras, hora composto por mata de Cerrado, hora por resquícios de Mata Atlântica, o frágil corredor liga duas das três estações ecológicas da região Sudoeste Paulista.
Foi o que restou da flora e ainda sobra para a fauna viver e que mesmo precariamente, forma um de corredor de mata, ligando Avaré, Iaras, Águas de Santa Bárbara, graças aos ribeirões que têm suas margens teoricamente protegidas por lei. São denominadas ‘matas ciliares’, demasiadamente importantes para assegurar os recursos hídricos e leis essas que, de pouco em pouco, vão sendo burladas e assim, aos poucos sem ninguém perceber, o que resta de “meio ambiente” vai se perdendo.
Estamos falando geograficamente do final da parte norte da região, que tem como referência a SP-280. Quanto a parte sul, temos como margem o magnífico e singular Grande Corredor da Mata Atlântica que liga os estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
Colocando nessa ceara ecológica, somente a região Sudoeste Paulista, começamos então por Avaré, na Estação Ecológica Estadual, uma enorme fazenda composta por mata nativa que poucos sabem que existe.
Seguindo sentido oeste, a mata da estação passa próxima ao Horto Florestal e segue por pequenos e estreitos “corredores”, serpenteando e esguiando junto aos córregos, ribeirões e rios, demarcando e banhando dezenas de pequenas, médias e grandes propriedades rurais até chegar na Estação Ecológica de Águas de Santa Bárbara.
Após quase ser cortada pela SP-255 e desaparecer devido a expansão agrícola, não fosse novamente os ribeirões, o que resta de mata nativa segue junto aos mananciais. Próximo ao perímetro urbano de Avaré, o corredor encontra o Ribeirão Água da Onça, que logo a frente, banha as terras da fazenda herdada pela prefeitura até desaguar no Ribeirão Lageado, principal manancial de água do município, que por sua vez continua seu curso até sua foz, o Rio Novo que após dezenas de quilômetros avante, vai desaguar no caudaloso Rio Pardo, com destino a Águas de Santa Bárbara.
Imagem extraída do Google Maps, mostra a fazenda herdada pela prefeitura de Avaré, com um tracejado ilustrando, sem precisão, o perímetro da propriedade
Em Águas de Santa Bárbara o corredor verde após pela cidade, deixa o Rio Pardo e segue a mata que margeia o Rio Capivarí, até finalmente encontrar a outra Estação Ecológica Estadual, uma enorme reserva ambiental, esta impiedosamente cortada pela SP-280 – Rodovia Castelo Branco, local de registros de inúmeros atropelamentos de animais.
Importante, mas desconhecido corredor verde que une duas estações ecológicas, também pouco conhecidas. Um fantástico sistema ambiental que teima em sobreviver, é fundamental para a sobrevivência de cervos, onças pardas, jaguatiricas, gatos do mato, tamanduás-bandeira, saruês e diversas espécies de aves, até mesmo para as imprescindíveis abelhas, polinizadoras de lavouras e pomares das redondezas.
Área de interesse ambiental, parte dentro e parte fora da fazenda que prefeito de Avaré quer vender – Google Maps
A mata da fazenda em Avaré tem grande significado ambiental, de relevância hídrica e abriga um dos poucos pontos de abundância de floresta que ainda resta no entorno da cidade de Avaré.
Um exemplo clássico de expansão imobiliária desordenada e que destrói importantes áreas de mata que protegem nossos ribeirões, acontece nas proximidades e afeta justamente o principal. Veja na imagem abaixo, como um residencial invadiu uma área de mata que margeia o Ribeirão Lageado. É isso o que não queremos agora.
Exemplo clássico do que a desordenada expansão imobiliária pode fazer com o que resta de mata nativa em Avaré, neste caso, as margens do Ribeirão Lageado
Jô Silvestre quer dinheiro? Que venda a enorme área sem mata da fazenda e torne o restante em APP – Área de Proteção Permanente. O perímetro sem mata já renderia vários milhões para gastar no ano eleitoral.
Ressalto, se o patrimônio público for vendido como deseja o prefeito, essa imensa e importante área de Cerrado e que protege ambientalmente o perímetro urbano de Avaré, poderá ser devastada, interrompendo o já precário corredor ecológico e, por fim, condenando uma área natural de contenção de recursos hídricos que faz parte de um complexo sistema fluvial conhecido como bacia hidrográfica.
Estação Ecológica de Avaré – Imagem Google Maps
Estação Ecológica de Águas de Santa Bárbara – Imagem Google Maps















































