Um preso que cumpre pena no Centro de Ressocialização (CR) “Dr. Mauro de Macedo” de Avaré encontrou nos livros a oportunidade de mudar de vida. Kalby Garcia de Oliveira, 35 anos, participa do Clube de Leitura no presídio, fez 700 pontos na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2019) e sonha em cursar Direito. “Descobri que a educação liberta”, exalta.
Outros três reeducandos de unidades prisionais da região de Avaré também se destacaram: tiraram 700 na redação. Ao todo, a Coordenadoria da Região Noroeste (CRN) inscreveu 4.176 detentos no exame do ano passado.
EXEMPLO
Comerciante, Oliveira tem o Ensino Médio completo e prestou o Enem justamente porque pretende fazer uma faculdade. “Devo ganhar a liberdade em seis meses”, pontua.
Na redação, cujo tema foi “O Combate ao Uso Indiscriminado das Tecnologias Digitais de Informação por Crianças”, o reeducando fez uma crítica sobre o uso precoce da Internet.
“A globalização e o sistema atualizado de informações facilitaram a maneira de as pessoas se relacionarem. O lado negativo é o fato de as crianças trocarem a infância pela tecnologia muito cedo”.
Com a retomada dos estudos, Oliveira quer ser uma referência para a sua família. “Pretendo cursar Direito, para dar exemplo aos meus filhos de que os estudos abrem as portas para o conhecimento e o futuro profissional”, finaliza.
INVESTIMENTO EM EDUCAÇÃO
Rafael Bersan Ferreira, 35 anos, cursa o 1º ano do Ensino Médio na Penitenciária de Bernardino de Campos. Prestou o Enem para testar seus conhecimentos e também fez 700 pontos na redação.
Ele conta que passou a investir nos estudos dentro da unidade prisional para ter melhores condições de ingressar no mercado de trabalho quando concluir a sua pena.
“Pretendo cursar uma faculdade, mas ainda estou em dúvida se na área de humanas ou exatas. De qualquer forma, quero terminar meus estudos e ter uma profissão digna e satisfatória”, conclui.
AGRONOMIA
Outro detento que fez 700 pontos na redação do Enem, Célio Vieira de Lemos, 56 anos, gosta de ler desde a infância. Atualmente, cumpre pena na Penitenciária “Orlando Brando Filinto” de Iaras.
“Sempre estudei. Sonho cursar Agronomia. Além disso, quero cuidar das minhas três filhas e trabalhar muito”, projeta Lemos.
RETOMAR A FACULDADE
“Prestei o exame para testar meus conhecimento e tentar ingressar em uma faculdade. Leio bastante e me preparei o ano todo para a prova”, conta o reeducando Marcus Henrique Cruz, 30 anos.
Preso na Penitenciária “Cabo PM Marcelo Pires da Silva” de Itaí, Cruz, que tirou 700 na redação, projeta retomar a faculdade ao deixar a prisão. “Quero concluir Engenharia Civil. Parei no quarto ano”, conta.
Célio, da Penitenciária de Iaras, gosta de ler desde a infância

Marcus, da Penitenciária de Itaí, projeta retomar a faculdade de Engenharia Civil quando ganhar a liberdade

Preso na Penitenciária de Bernardino de Campos, Rafael passou a investir nos estudos dentro da unidade prisional














































