Após ser assolado por uma seca que perdurou por mais de 20 anos, o rio mais limpo do Estado de São Paulo, nessa temporada de chuvas, assusta a região Sudoeste Paulista por sua exponencial recuperação, colocando até mesmo as várias usinas hidrelétricas em seu percurso em estado de atenção.
Nesta quinta-feira, 23, a ANA – Agência Nacional de Águas, realizou a segunda Reunião em 2023, envolvendo a Sala de Acompanhamento do Sistema Hídrico do Rio Paranapanema. Com início às 15hs, o evento técnico foi acompanhado pela redação do Portal do Sudoeste Paulista.
Segundo o explanado na reunião, as chuvas melhoraram desde outubro/22 e dezembro/22, janeiro/23 choveu acima da média, a exemplo do que ocorre agora, em fevereiro.
Em consonância com o dito na reunião realizada nesta quarta-feira e coordenada por Joaquim Guedes Corrêa Gondim Filho, Superintendente de Operações e Eventos Críticos da ANA, os técnicos não apontaram riscos para as barragens nem problemas relevantes para os moradores próximos às represas e ao Rio Paranapanema. Participaram técnicos da ANA, da INMET, do CEMADEN, além de técnicos da ONS.
Vale lembrar que tanto o Rio Paranapanema, como as represas Chavantes e Jurumirim, estavam com níveis críticos, antes desse período chuvoso. Comportas e vertedouros das quatro usinas da região estão abertos, controlando o nível das águas.
O que mais preocupava até então, eram as duas usinas hidrelétricas instaladas em Piraju, pois não contam com represamentos. São denominadas como fios d’água, ou seja, trabalham somente com o leito do rio, diferente das usinas Jurumirim e Chavantes que dispõem de reservatórios.
A CBA, proprietária das usinas em Piraju, chegou a emitir um alerta no dia 18 de fevereiro, apontando que o Rio Paranapanema estava chegando ao limite. Entretanto, a reunião definiu que não há riscos de inundações, nem de problemas com as barragens das usinas.
“As chuvas que estão acontecendo levaram os reservatórios a níveis muito adequados. Alguns deles, abrindo até volume de espera para controle de cheia.” Disse Joaquim Gondim.

Para o mês de fevereiro, segundo Mamedes Melo, pesquisador do INMET, as chuvas continuam contribuindo para expectativa de que o acumulado mensal pode superar a média de precipitações para a região Sudoeste Paulista, ou seja, de 180 a 250 milímetros.
Conforme a explanação de Mamedes, as chuvas devem continuar até o fim da temporada, em março, com uma previsão de até 150mm, estimando que a média da temporada pode superar um pouco a média histórica, entretanto, à partir de abril, as chuvas intensas cessam, podendo permanecer na média ou ligeiramente abaixo.

Em síntese, não há previsão climática para que ocorra algum desastre na região e, em março, o fenômeno “La Ninha”, que provoca excesso de chuvas, deixa de atingir o Sudoeste Paulista.
Marcelo Celuche do Cemaden, em sua vez, apontou os valores de chuvas acumuladas no Estado de São Paulo e na Bacia do Paranapanema. Segundo ele, as precipitações no entorno do Paranapanema, estão de fato acima da média, mas nada que preocupe.

Marcelo frisou que considerando o ano hidrológico, de outubro/22 até então, choveu 788mm, faltando apenas 40 milímetros de chuva para que a maior média seja novamente atingida, de 828mm. “A situação beira a normalidade”, enfatizou o técnico que previu chuvas generalizadas, acima da média, até o final desse mês, ponderando que a média histórica deve ser ultrapassada.

Importante enfatizar que os dados apresentantes são referentes até o dia 22 de fevereiro. O que era tratado como “sala de crise”, agora segundo Joaquim Gondim, trata-se de somente “sala de acompanhamento”, devido ao baixo risco de problemas.
Também explanou o técnico da ONS, Paulo Victor. Ele disse que esse mês de fevereiro já é o 36º com maior quantidade de chuvas da série histórica. Até o momento a represa Jurumirim está com 85% de seu volume e a Represa de Chavantes (que também recebe água do Rio Itararé), com 92%.
Os técnicos estimam que tais volumes úteis, podem chegar a 100% e normalizar com o fim do período chuvoso. Até lá, a estrutura do sistema deve mitigar os riscos de enchente.
Usina Piraju CBA fotografada pelo pirajuense Luiz Carlos, dia 21 de fevereiro
Usina na cidade de Piraju, fotografada por Luiz Carlos, em 21 de fevereiro
Usina Jurumirim, em Cerqueira César, com as comportas abertas em 21 de fevereiro – Foto Luiz Carlos
Imagens das águas da Represa de Chavantes, próximo ao tabuleiro a ponte entre Fartura a Carlópolis, viralizaram nas redes sociais
















































